Blog da Marsha

Dia a dia, experiências e aprendizado de Marsha Hanzi

Colocando o Sítio para Dormir

Outubro é o começo da grande seca, que continuará até maio de 2018.  É o fim da época de chuvas. Estamos colhendo os últimos milhos, guardando as abóboras para o ano,  secando pimentas e farinha de folha, e basicamente nos preparando – até emocionalmente – para os longos meses sem chuva.  (Podemos ter chuvas de verão a qualquer momento - ou não! O ano passado teve quatro meses sem uma gota.)

 A grande chave agora é proteger o solo dos raios do sol. Isto é imprescindível para a fertilidade do solo e o sucesso da nossa agricultura!

Se o solo está fresco (21 graus), 100% da umidade é aproveitada para o crescimento vegetal.

Se o solo atingir 38 graus, somente 15% da umidade é aproveitada para o crescimento, e 85% é perdido por evaporação.

Se o solo atingir 54 graus, TODA a umidade é perdida por evaporação;

A 60 graus, o solo morre!!!

Nosso solo, descoberto, pode atingir facilmente 60 graus!

Então a principal tarefa agora é cobrir, cobrir, cobrir!!!  Isto não é tão simples, quando se trata de 7 hectares de terra.

Felizmente, o nosso manejo deixa praticamente toda a terra coberta. Mas estamos nos esforçando mais ainda....

Temos um terreno novo, comprado recentemente do vizinho e continuação do nosso, onde implantamos canteiros (de 3X3 até 4X6 metros) para culturas anuais: gergelim, mostarda, amaranto, chia etc.  O solo destes canteiros ainda é pobre, por ser o primeiro ano que manejamos a área.

Estamos caprichando estes canteiros, com a esperança de começar o ano que vem com um solo muito mais fértil.  Não temos certeza dos resultados, porque, com a seca extrema e o sol escaldante, a fertilidade pode ser destruída pelo calor, a pesar dos nossos esforços - resta a verificar.

Estamos cobrindo os canteiros em várias camadas, passando uma manhã inteira em cada canteiro:

  1. Uma camada de material para aumentar o paramagnetismo do solo. Isto é um tipo de magnetismo suave, próprio em paisagens de fogo (vulcões etc.) que facilita o acesso das plantas aos minerais. Nossa paisagem é de água (o fundo de um mar interno pré-histórico), muito pobre em paramagnetismo. Assim a primeira camada da cobertura é composta de material que passou pelo fogo: carvão, cinzas, até pedaços de tijolo e telhas.
  2. Esterco fresco: rico em micro-vida;
  3. Uma camada grossa de folhas secas (de caju), moídas com palma, sisal, e babosa, todas fontes de minerais e umidade;
  4. Uma camada boa de folhas secas de caju, para ajudar a manter a umidade.

Esperamos, com isso, de criar um solo rico em cima da areia branca. O ano que vem, estes canteiros receberão uma camada grossa de composto antes de serem plantadas. Como produziram relativamente bem este ano, temos toda confiança que, o ano que vem, a produção dará um salto.

Nas áreas maiores, onde a cobertura é rala, deitamos folhas de coqueiro (que temos em abundância no bairro) para aumentar mais ainda a cobertura. A experiência já nos mostrou que estas áreas, que foram cobertas com folhas de coqueiro, são as primeiras de mostrar matos verdes com as primeiras chuvas, esperadas por março-abril.

Depois, passamos os meses secos fazendo composto, planejando , sonhando, fazendo cercas, manejando os animais, nos escondendo do calor e cuidando dos nossos visitantes. (E, no meu caso, viajando!)

Esperamos fazer um lindo vídeo para mostrar que esta época, a pesar do calor, tem uma beleza toda própria!

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